Quando a extrema direita fala em liberdade, não está falando de liberdade de expressão. Pelo menos não da sua.
Não preciso explicar o caso, mas vale relembrar que o Flávio, Bolsonaro Filho, recorreu à Justiça contra um post do Antonio Tabet sobre Nossa Senhora Aparecida. Um post que não citou nome nenhum. O ministro “terrivelmente evangélico” André Mendonça mandou apagar o post do Tabet e mais de mil links. Tudo cerca de uma hora depois de a campanha entregar a lista. Nem deu tempo de analisar cada caso.
“Menos oxigênio, mais liberdade”
Então, se não é essa, de que liberdade eles falam? Eu acho que é mais ou menos assim:
- Liberdade de se armar: no governo Bolsonaro, quem tinha registro de atirador podia ter até 60 armas e comprar até 180 mil munições por ano. Se você tem medo disso, relaxa: você também tem a liberdade de comprar as suas.
- Liberdade da mulher de ser submissa ao marido. Mas “submissão saudável”, como explicou Michelle Bolsonaro (PL) num evento do partido.
- Liberdade da empresa de pagar menos para mulher: 36 deputados votaram contra a lei de igualdade salarial. Metade era do PL. O Novo, que novidade, votou contra em bloco.
- Liberdade de uma menina estuprada levar a gravidez até o fim. Se não levar, a menina pode ter pena maior que a do estuprador. Assim era o projeto do provável futuro presidente da Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).
- Liberdade de negociar sua jornada direto com o patrão: cara a cara, você e ele. Foi o que o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL), propôs como alternativa ao fim da escala 6x1, para “ampliar a liberdade e autonomia do trabalhador”. Na Câmara, 22 deputados votaram contra acabar com a 6x1, e 15 eram do PL e do Novo.
- Liberdade de ser pago por hora, também na proposta do Marinho. Ficou doente? Não trabalhou, não recebeu. E a empresa tem a liberdade de não te pagar por esse dia.
- Liberdade de informação: você tem todo o direito de saber o que o governo fez. Daqui a 100 anos. Tá lembrado dos sigilos de 100 anos do governo Bolsonaro Pai?
- Liberdade no trânsito: levar o filho sem cadeirinha e, no máximo, tomar uma advertência. Foi o que Bolsonaro propôs em 2019.
- Liberdade econômica: garimpar em terra indígena.
- Liberdade de não se vacinar. E o SUS, a obrigação de te atender na UTI.
Menos Estado, mais você. Desde que “você” seja homem, tenha arma, tenha empresa e não precise do SUS.