Escala 3x4: escrevo três dias, descanso quatro.
5 de outubro de 2026

Tá ruim, né? Já foi pior. E pode piorar.

Com o Senado que saiu das urnas e até quatro vagas no STF em jogo, o segundo turno decide se ainda vai sobrar algum freio.

4 min de leitura

Tá ruim, né?
Já foi pior. E pode ficar bem pior.

Bolsonaro pai tocou o terror. Na pandemia, instaurou o caos: um estudo de pesquisadores da USP e da UFRJ estimou que pelo menos 120 mil mortes eram evitáveis só no primeiro ano. Na segurança pública, rolou um liberou geral no armamento: um atirador podia ter até 60 armas e comprar até 5 mil munições por ano para cada uma. Parte disso foi parar onde você imagina. Em 2022, a PF prendeu um falso CAC que comprou sete armas, fuzil incluído, para entregar ao PCC. E, pra parar por aqui, o Jair tentou dar um golpe de Estado, com plano de assassinato e tudo. Você sabe onde ele está agora, né?
“Eu não sou coveiro, taokey?”

Nos dois primeiros anos de governo, três barreiras seguravam as outras loucuras do Jair: a Câmara, o Senado e o STF. No meio do mandato, ele fechou com o Centrão. Botou o Ciro Nogueira na Casa Civil e se acertou com o Arthur Lira, presidente da Câmara. A cola foi o orçamento secreto: mais de R$ 50 bilhões em emendas entre 2020 e 2022, distribuídas sem que se soubesse direito quem pedia o quê. Caiu o primeiro freio.

Com a grana gorda, ele também ganhou aliados no Senado, mas a Casa ainda resistia e incomodava o Capitão. Em 2021, Bolsonaro pediu o impeachment do Alexandre de Moraes, e o Rodrigo Pacheco arquivou o pedido em cinco dias.

E ainda tinha o STF. Você pode odiar o Supremo, mas foi ele que garantiu a governadores e prefeitos o direito de agir contra a covid enquanto Brasília lavava as mãos. Foi ele que obrigou o governo a apresentar um plano de vacinação e liberou os estados para comprar vacina por conta própria. Enquanto isso, Bolsonaro passava por quatro ministros da Saúde. E não dá pra deixar de dar o crédito: o STF foi a instituição mais importante para segurar o golpe.

No domingo, o PL do Valdemar Costa Neto varreu o Senado e terá a maior bancada da Casa: 28 das 81 cadeiras. Somando os aliados, a direita fica com a maioria absoluta. E um levantamento já conta 54 senadores que defendem o impeachment de ministros do STF, exatamente os dois terços necessários. Com Lula ou com Flávio presidente, o impeachment do Xandão nunca esteve tão perto.

E o próximo presidente vai indicar até quatro ministros do STF: a vaga do Barroso, que segue aberta, e as aposentadorias do Fux, da Cármen Lúcia e do Gilmar.

Se o Bolsonaro filho vencer, além de dominar o Congresso, vai dominar o STF. Ah, legal, o Xandão vai vazar! E quem ele vai indicar no lugar? Em pouco tempo, Kassio Nunes Marques e André Mendonça mostraram fidelidade incontestável ao bolsonarismo. Dá pra imaginar o perfil dos próximos.

Com o Lula, o Senado continua sendo freio. Tanto que, em abril, rejeitou o Jorge Messias, indicado pelo próprio Lula para o STF. E o Lula já se ferrou com ministros escolhidos pelo PT: dos seis ministros do Supremo que votaram para negar o habeas corpus que o mandou pra cadeia em 2018, cinco tinham sido indicados por governos petistas. Ou seja: vai ser difícil aprovar as indicações do Lula, mas pelo menos teremos embate político e público, e não um liberou geral.

Dá pra comparar também como cada um lida com a polícia. Numa reunião gravada em 2020, Bolsonaro disse que trocaria quem fosse preciso na segurança para não “foderem” a família e os amigos dele. O Moro saiu do governo acusando interferência na PF. No governo Lula, a mesma PF abriu três inquéritos contra o filho do presidente. Agora imagina o Flávio com a PF na mão, escolhendo o diretor-geral e o procurador-geral da República. As investigações sobre emendas parlamentares, inclusive as que bancaram a produtora do filme do pai dele, seguiriam no ritmo que deveriam? E o caso Master: seguiria mirando todo mundo, ou só a frente que atinge o PT da Bahia?

Isso sem falar no Ministério Público e na escolha do procurador-geral da República. No governo Bolsonaro, Augusto Aras ganhou dos críticos o apelido de “engavetador-geral da República”.

E dá pra pensar em muito mais coisa. Como teria sido a pandemia nas mãos do Lula? Quem acertou nas armas: quem liberou geral ou quem botou um controle razoável?

Pensa direitinho. Mesmo com o Flávio perdendo, o Congresso que saiu das urnas já é um problema. Com ele ganhando, não sobra freio nenhum: Planalto, Congresso e Supremo na mão do mesmo grupo.

Você não precisa gostar do PT. Só precisa decidir se quer entregar os três poderes para uma família só.


Fontes: Agência Senado · Poder360 · Gazeta do Povo · Aos Fatos · CPI da Covid (estudo USP/UFRJ) · Agência Brasil · Áudios extraídos do App do Medo e Delírio em Brasília

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